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Entrevista a Lídia Pereira. Eurodeputada portuguesa chefia delegação do Parlamento Europeu à COP29

A delegação do Parlamento Europeu vai apresentar um conjunto de propostas, entre as quais a de aumentar o financiamento anual – atualmente de 100 mil milhões de euros – destinado à luta contra as alterações climáticas.

A correspondente da Antena 1 em Bruxelas, Andrea Neves, falou com a eurodeputada portuguesa que vai liderar a delegação do Parlamento Europeu no Azerbaijão, entre os dias 18 e 20 deste mês.
Financiamento climático
Pergunta: Nesta COP 29 os eurodeputados vão defender que todos os países, em função das suas capacidades financeiras – incluindo economias emergentes como a China, a Índia ou a Arábia Saudita – contribuam para o novo objetivo de financiamento climático?
Resposta: O Parlamento Europeu está empenhado em garantir que os outros países do mundo com responsabilidades na área – não só do financiamento climático, mas também pela sua esfera de influência junto de alguns países, e estou a referir-me em particular à China que, infelizmente, ao longo destes anos todos nunca passou do estatuto de país desenvolvido e, por isso não contribui o suficiente para o financiamento climático – contribuam verdadeiramente para o esforço que tem sido suportado pela União Europeia. 
 
Não na sua totalidade, mas a maioria do financiamento climático provém da União Europeia e isto não é aceitável porque são desafios globais.
 
As catástrofes naturais são cada vez mais frequentes e mais severas. Veja-se aquilo que aconteceu em Portugal, com os incêndios há não muito tempo, ao mesmo tempo que tínhamos cheias no Leste europeu. Recentemente tivemos a tragédia em Valência E o Furacão Idai em Moçambique, para sairmos um pouco deste espaço geográfico.
 
Estas catástrofes estão a acontecer com mais regularidade e com mais severidade e a União Europeia tem sido sempre o bloco geográfico mais empenhado e tem liderado o combate às alterações climáticas que se vê na ação.
E vê-se em que situações, na prática, há exemplos concretos dessa ação da União Europeia que nos possa dar?
 
Destaco duas coisas no que diz respeito à ação: a ação do lado da descarbonização e do crescimento económico – a Europa conseguiu nos últimos 20 anos criar 26 milhões de postos de trabalho, conseguiu crescer economicamente 27 por cento e conseguiu reduzir as emissões de CO2 dois entre 25 e 30 por cento – é possível descarbonizar e crescer; e depois a ação política – quando andavam as novas gerações nas ruas nas manifestações Fridays for Future – a Presidente da Comissão Europeia, em dezembro de 2020, apresentou o Green Deal perante o Parlamento e em dezembro de 2021, no pico da pandemia, aprovámos a primeira Lei Climática do Mundo.
 
Aprovámos a Lei Europeia do Clima, em que traduzimos a letra da lei o compromisso com a neutralidade carbónica e com os objetivos intermédios e a seguir o pacote para a descarbonização o famoso Fit for 55.
 
Portanto, aquilo que a União Europeia vai fazer, novamente na COP 29, no espaço que é possível pela diplomacia é mostrar há uma estratégia e há uma estratégia que funciona. Mas precisamos que os outros países estejam empenhados tal como a União Europeia tem estado.
 
Lídia Pereira destaca a necessidade de um progresso contínuo no cumprimento das metas de redução de emissões. “Embora a Europa esteja a liderar globalmente na ação climática, temos de garantir que todos os Estados-membros cumprem com os seus compromissos para a implementação do pacote Fit for 55, essencial para atingirmos a neutralidade climática até 2050.”
 
A resolução da União Europeia também reconhece a importância de definir metas claras para 2040, que informem os compromissos climáticos até 2035. As negociações internas sobre a magnitude desses cortes de emissões ainda estão em curso.
 

Fonte: Antena 1