Lídia Pereira defende energia limpa, reforço do Mercado Único e Pacto das Migrações no debate sobre o Estado da União
A eurodeputada do PSD, Lídia Pereira, interveio na sessão plenária do Parlamento Europeu dedicada ao Estado da União, em Estrasburgo, defendendo que a Europa precisa de transformar os diagnósticos dos últimos anos em resultados concretos, com especial enfoque na energia, na competitividade, no Mercado Único, nas migrações e na defesa dos valores europeus.
A intervenção decorreu após o discurso da Presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, que apresentou as prioridades para o próximo ano e defendeu uma União Europeia mais forte, independente e resiliente, destacando a necessidade de aprofundar o Mercado Único, reduzir encargos administrativos, garantir energia acessível, aumentar o investimento e diminuir dependências estratégicas.
Lídia Pereira começou por chamar a atenção para o peso da dependência energética europeia. “Nos 90 segundos que tenho, a União Europeia gasta um milhão de euros a importar energia. Mais de 120 milhões nas três horas deste debate”, afirmou a vice-presidente do Grupo PPE. “Investir em energia limpa é investir na economia. É segurança. É competitividade. É liberdade.”
A vice-presidente do PPE alertou também para os obstáculos que continuam a impedir o funcionamento pleno do Mercado Único. “Em 70 anos, aprendemos a circular sem fronteiras e até já podemos pagar com a mesma moeda. Mas as empresas ainda enfrentam o rolo compressor de 27 leis diferentes, num mercado que devia ser único”, afirmou, lembrando que continua a não ser possível criar uma empresa automaticamente reconhecida em toda a União Europeia.
Na área das migrações, Lídia Pereira defendeu uma política comum, assente em regras e integração, rejeitando respostas extremadas. “Não podemos continuar com 27 políticas diferentes num espaço que se quer comum”, afirmou. “Só há política de migrações com regras. Só há dignidade se houver visto e contrato. Só há bem-estar se houver integração.”
A social-democrata sublinhou ainda que a capacidade da União Europeia para responder aos desafios atuais depende da sua capacidade de produzir resultados visíveis. “Os europeus não pedem que sonhemos por eles. Pedem-nos resultados”, afirmou.
Na dimensão externa, Lídia Pereira destacou o apoio à Ucrânia e a defesa dos valores que estão na origem do projeto europeu. “A Ucrânia não desistiu. Lembra-nos o que significa a Europa: um projeto de democracia, paz e liberdade”, afirmou. A eurodeputada destacou ainda a presença do Primeiro-Ministro canadiano, Mark Carney, no Parlamento Europeu, considerando que esta demonstra que “as democracias não podem dar-se ao luxo de ficarem sozinhas”.
À margem da sessão plenária, Lídia Pereira considerou que Ursula von der Leyen fez um discurso “realista e pragmático, que reconheceu as vulnerabilidades da União Europeia num contexto internacional cada vez mais instável, mas também os progressos realizados nos últimos anos”.
