Literacia financeira como prioridade europeia
O Parlamento Europeu aprovou o relatório sobre literacia financeira, da autoria da eurodeputada Lídia Pereira, que defende o reforço da capacitação dos cidadãos num contexto económico e digital cada vez mais complexo.
Para a eurodeputada, a literacia financeira deve ser entendida como uma condição essencial de liberdade individual, permitindo decisões mais informadas e reduzindo a vulnerabilidade ao sobre-endividamento e à fraude. “Mais literacia financeira significa mais liberdade para decidir sobre o próprio futuro”, sublinhou.
O relatório parte de um diagnóstico claro: apenas um em cada cinco cidadãos da União Europeia apresenta níveis elevados de literacia financeira, o que levanta desafios em termos de inclusão, proteção e competitividade. Neste sentido, propõe uma abordagem estruturada e contínua, que passa pela integração da literacia financeira nos sistemas educativos, pela promoção de programas ao longo da vida e pela criação de ferramentas adaptadas aos momentos-chave das decisões financeiras.
Entre as principais medidas, destacam-se a criação de uma campanha europeia permanente e multilingue, o desenvolvimento de comparadores simples de custos e risco e o reforço da coerência regulatória, garantindo informação mais clara e acessível aos cidadãos.
O relatório aborda ainda o impacto do ambiente digital no acesso à informação financeira, reconhecendo as oportunidades, mas também os riscos associados à proliferação de conteúdos não regulados. Nesse sentido, propõe maior transparência nas parcerias comerciais, a definição de um código de conduta europeu, a criação de um selo voluntário de boas práticas e o reforço da responsabilidade das plataformas digitais.
Lídia Pereira sublinha que o objetivo não é limitar a autonomia dos cidadãos, mas reforçá-la. “Não queremos dizer às pessoas o que fazer com o seu dinheiro. Queremos garantir que podem decidir melhor, com mais segurança e mais confiança”, afirmou.
A eurodeputada considera que a aprovação deste relatório representa um passo importante para colocar a literacia financeira no centro da agenda europeia, promovendo uma União mais informada, mais protegida e mais preparada para os desafios do futuro.
