Lídia Pereira, em artigo no Campeão das Províncias, lança um apelo aos conimbricenses espalhados pelo mundo
Cresci numa cidade onde se dizia que tudo estava parado. As lojas fechavam mais do que abriam, os projetos ficavam no papel, e as grandes obras serviam mais para travar do que para transformar. Coimbra era muitas vezes lembrada pelo passado, mas sonhava-se pouco com o futuro.
Hoje, essa realidade está a mudar. E está a mudar de forma visível, com resultados concretos. Esta é uma convocatória simbólica a todos os conimbricenses, sobretudo àqueles que vivem fora: mesmo à distância, nunca deixámos de pertencer a esta cidade. E agora, mais do que nunca, vale a pena olhar para Coimbra com outros olhos.
A cidade está mais viva, mais ambiciosa, mais confiante. O Metrobus (ou Metro Mondego) está finalmente em marcha, com obras no terreno — depois de décadas de promessas. Só foi possível porque houve coragem política e uma liderança que decidiu avançar. Mas a mudança vai além da mobilidade: traduz-se em investimento, dinamismo económico e espírito empreendedor. Nos últimos dois anos, têm surgido em média duas novas empresas por dia no concelho.
A Baixa de Coimbra, antes símbolo de abandono, está a renascer. Mais lojas abertas, mais empresas instaladas, reabilitação habitacional e requalificação urbana são hoje uma realidade. O chamado “Plano Marshall para a Baixa”, com 137 medidas, já tem mais de metade das ações em curso. O que muitos consideravam irrecuperável está, passo a passo, a tornar-se um exemplo de revitalização.
Estes progressos não acontecem por acaso. São fruto de uma colaboração entre o Município, as instituições de ensino superior, centros de investigação e o tecido empresarial. Projetos como o crescimento do iParque, a nova Plataforma Logística em Souselas ou o trabalho do Instituto Pedro Nunes e do INOPOL mostram como Coimbra está a transformar conhecimento em desenvolvimento económico real.
Os jovens que outrora partiam, hoje querem ficar — ou voltar. Porque percebem que a cidade está diferente. Sentem que há oportunidades, ambiente de inovação e espaço para crescer.
Claro que nem tudo está feito. As obras trazem transtornos e a mudança exige paciência. Mas quem vê Coimbra com a distância de quem partiu consegue notar como ela está mais moderna, mais aberta ao futuro e mais ligada ao mundo, sem perder a alma que a caracteriza: a cidade dos estudantes, das repúblicas, dos cafés e da saudade, agora também cidade de ciência, tecnologia, sustentabilidade e investimento.
Neste ano em que o Campeão das Províncias celebra 25 anos de publicação em Coimbra, não posso deixar de destacar o papel fundamental da imprensa local. Uma imprensa que informa, acompanha e dá voz ao que se faz de bom na cidade e na região. Que este jornal continue a ser exemplo de proximidade, independência e responsabilidade.
Coimbra está a crescer. Talvez seja tempo de voltar.
Publicado no Campeão das Províncias em 24-05-2025: https://www.campeaoprovincias.pt/pdf/CampeaodasProvincias1254.pdf
