O acordo com o Mercosul não é apenas sobre comércio, é sobre garantir que a Europa tem os recursos para crescer, inovar e proteger os seus interesses.
Durante a sessão plenária do Parlamento Europeu, a eurodeputada do PSD, Lídia Pereira, defendeu a urgência da ratificação do acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul, sublinhando que este pacto é essencial para impulsionar a economia europeia e reduzir a dependência de mercados concorrentes.
Na sua intervenção, destacou o impacto das elevadas tarifas que afetam setores estratégicos da indústria europeia, como o automóvel, a moda e o agroalimentar. “Fiat, Volkswagen, Renault estão entre as marcas mais vendidas no Mercosul e pagam taxas de 35%. O mesmo acontece com a nossa indústria da moda. E os nossos vinhos, mundialmente reconhecidos? Enfrentam tarifas de 27%! Reduzir ou eliminar estas barreiras não será uma boa notícia?”, questionou.
Além da vertente comercial, Lídia Pereira sublinhou a importância das matérias-primas críticas para a competitividade europeia e para a transição energética. O Brasil processa 89% do nióbio mundial e a Argentina detém 11% do lítio global, recursos essenciais para setores estratégicos como a produção de baterias e a indústria aeroespacial. “Será que podemos mesmo deitar fora um acordo com o Mercosul? Não, não podemos”, afirmou.
A eurodeputada alertou ainda para os desafios geopolíticos e a necessidade de reforçar a autonomia estratégica da União Europeia, referindo-se ao reforço da indústria de defesa e à segurança do aprovisionamento de matérias-primas. “Queremos lançar satélites de baixa órbita? Usar caças Eurofighter ou Super Rafale em vez dos F-35 americanos? Garantir que o sistema de defesa europeu seja uma alternativa viável? Então temos de assegurar o acesso a matérias-primas essenciais”, reforçou.
Para Lídia Pereira, a ratificação do acordo UE-Mercosul é uma decisão estratégica para o futuro económico da Europa, garantindo cadeias de valor resilientes e fortalecendo a competitividade europeia a nível global. “Este acordo não é apenas sobre comércio. É sobre garantir que a Europa tem os recursos necessários para crescer, inovar e proteger os seus interesses”, concluiu.
Com esta posição, a eurodeputada reafirma o seu compromisso com uma Europa mais autónoma, competitiva e preparada para enfrentar os desafios económicos e geopolíticos do futuro.
