COP29: Os bloqueios continuam numerosos em Baku, UE fala em “caminho íngreme”
A dois dias do fim da conferência sobre o clima da ONU, os bloqueios continuam numerosos em Baku. “O caminho é íngreme, mas não poupamos esforços“, sublinhou esta quarta-feira, 20 de Novembro, o negociador da União Europeia, Wopke Hoesktra, e o coordenador azeri das negociações, Ialtchine Rafiev, admitiu que “agora é que começa a parte mais difícil”. Apesar das dificuldades, Lídia Pereira, líder da delegação do Parlamento Europeu à COP29 mostra-se confiante num acordo.
A dois dias do fim da conferência sobre o clima da ONU, os bloqueios continuam numerosos em Baku.”O caminho é íngreme, mas não poupamos esforços“, sublinhou esta quarta-feira, 20 de Novembro, o negociador da União Europeia, Wopke Hoesktra, e o coordenador azeri das negociações, Ialtchine Rafiev, admitiu que “agora é que começa a parte mais difícil”.
Os delegados dos países africanos e em desenvolvimento pedem aos Estados ricos que apresentem valores concretos para a ajuda financeira, mas os europeus não estão dispostos a avançar com números. Um projecto de acordo deve ser entretanto divulgado para impulsionar as negociações. Em todo o caso, não será o texto “final”, alertou a presidência da azeri da COP29.
A falta de avanços no financiamento – bem como na redução de emissões de gases com efeito de estufa – tem estado a alimentar as frustrações nos corredores claustrofóbicos do estádio olímpico de Baku.
“Não houve progresso em nenhum dos principais temas e agora temos textos mais longos e mais complicados, o que tornará as decisões ainda mais difíceis“, avançou, esta quarta-feira, o representante francês, Kevin Magron.
“Há um silêncio absoluto por parte dos países desenvolvidos, não há nenhum plano detalhado ou compromisso“, criticou Adonia Ayebare, presidente do grupo G77+China, que reúne mais de 130 países. “Precisamos de um número“, rematou.
Os países desenvolvidos, em particular a União Europeia, estão a guardar as suas propostas para o último momento. Apesar das críticas, Woke Hoekstra diz que “não vejo utilidade em discutir publicamente [um número] antes de termos uma base definida”.
Apesar das dificuldades, Lídia Pereira, líder da delegação do Parlamento Europeu à COP29 mostra-se confiante num acordo.
O diálogo continua. Há espaço para se encontrar um acordo. Eu tenho dito, estou cautelosamente optimista, porque creio que vamos ter um acordo. Esta é uma COP demasiado importante para que as partes não encontrem consenso.
Deixe-me também sublinhar a importância de, nesse acordo, não darmos passos para trás naquilo que foi conseguido no ano passado no Dubai, em particular no que diz respeito ao abandono dos combustíveis fósseis.
Sabemos que há uma pressão de alguns países, que estão interessados em retirar o peso desse texto e da expressão que foi conseguida no ano passado, mas não nos parece que esse seja o bom caminho.
Nesse aspecto em particular, em representação do Parlamento Europeu, estaríamos bastante desapontados e consideraria um falhanço nas negociações.
Mas há notas positivas: o avanço nos mercados de carbono e nos standards internacionais que estão agora a ser negociados. Quem polui mais tem que pagar mais e temos que investir esse dinheiro nas novas tecnologias limpas e em eficiência energética. Este é o caminho do futuro. Há avanços.
Eu acho que isso é uma nota positiva que podemos retirar até às negociações de hoje e, portanto, repito: estou cautelosamente optimista relativamente ao consenso que saia desta COP.
Questionada sobre se a União Europeia não poderia fazer mais esforços, a eurodeputada portuguesa sublinha que o bloco tem liderado as negociações.
A União Europeia tem liderado as negociações e é muito interessante, nas várias conversas, nas várias reuniões que temos com as delegações de todo o mundo, como olham para a União Europeia como a referência e como um exemplo e, portanto, pedem à União Europeia para manter a ambição, porque de outra forma poderia haver um certo esvaziamento dos compromissos que têm sido possíveis alcançar depois de Paris 2015.
Esta quarta-feira, já noite na capital azeri, a organização não-governamental Climate Action Network entregou o “fóssil do dia” à União Europeia por não honrar a responsabilidade histórica das suas elevadas emissões, com liderança e ambição, particularmente no que diz respeito ao financiamento climático.
A COP29 decorre até sexta-feira, dia 22 de Novembro, em Baku, capital do Azerbaijão
Fonte: Rfi
